Rio de Janeiro ou Gotham City? Uma breve reflexão sobre a cidade “Maravilhosa”

Rio de Janeiro ou Gotham City? Uma breve reflexão sobre a cidade “Maravilhosa”

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O caos se instaura na cidade, conforme vão passando os dias o adjetivo “Maravilhosa” vai nos deixando, não se vê mais nenhuma garota de Ipanema, e os 40 graus que sempre marcaram presença, alteram-se de temperatura para indignação, ouvem-se os protestos “Eu não quero mais viver aqui”.

À noite, talvez o pior momento, apresenta cenários que se assemelham ao filme Psicose de Alfred Hitchcock.

Os protagonistas não gritam, alguns são engolidos pela noite, que sussurra: “Me tornei as trevas”.

Sair de casa se tornou um desafio, alguns ao se despedirem de suas famílias, dizem: “até logo”, mas levam consigo o medo de não voltar para casa.

As sirenes tornaram-se parte do ambiente, como na época em que ouvíamos “as mais tocadas da rádio”.

O governo sofre de doenças crônicas, a mais letal é a amnésia, fazem algumas coisas, e depois alegam que não lembram de nada.

Corrupção, descaso, os habitantes foram deixados as moscas.

Seria um ótimo roteiro de histórias em quadrinhos, se não fosse tão real.

Em “A piada Mortal”, Allan Moore escreve sobre o Coringa, o personagem deseja provar que o ser humano precisa de apenas um dia para se tornar um “louco”, ou seja, se você passar por um dia atípico, em que sua mente é atormentada, você deixará a sanidade.

Vivemos uma era impetuosa, quantos de nós já enlouquecemos?

Até o aspecto religioso, respeitado durante séculos, para uns tornou-se piada, e para outros, motivo de vandalismo.

Por que apedrejar alguém por professar sua fé?


Gotham é uma cidade perigosa. A cidade que cria bandidos. E o Rio de Janeiro o que é?

Algumas pessoas dizem que não gostam muito do Batman, mas não compreendem que Gotham criou o Batman, uma medida desesperada, de uma cidade que se derramava em lágrimas, ainda, mais crítica que “Sodoma e Gomorra”.

Imagine como seria nascer em Gotham? Você por acaso vive no Rio de Janeiro?

Bruce Wayne, uma criança, nasceu em Gotham, e a cidade mostrou a ele o quanto era cruel.

Um bandido matou seus pais na sua frente.

O que fazer quando você vê seus pais morrendo diante de seus olhos? Bruce Wayne tornou-se o Batman.

Aquele que aterroriza os bandidos, e não segue a lei para justificar seus meios, quem sabe Bruce leu Maquiavel.

Nós não temos um Batman, mas temos uma série de palhaços.

Temos a crueldade de Gotham manchando nossa cidade, que ainda sim, acredita que pode sediar uma Olímpiada.

A cidade pintada de sangue, nos surpreende com mais um ato que relembra os filmes de terror, entretanto, no cinema, os espíritos que são malvados, aqui, são os homens.

Se você for um pouco mais velho responda: “O que você lembra de quando tinha 16 anos?” E se por acaso, você for mais novo responda: “O que você deseja fazer com 16 anos?”.

Uma menina, tomada pelo horror do Rio de Janeiro, tinha 16 anos.

A cidade a envolveu com suas trevas e permitiu que ela fosse estuprada.

33 homens!

A população apresenta-se indignada, entretanto, é possível ouvir alguns ecos atravessados: “De repente se ela não estivesse com aquela roupa.”

Se fosse em Gotham, haveria um Batman. Mas aqui, nesta cidade, só existem vilões, e alguns deles usam fardas.

No início o Homem Morcego era chamado de Cavaleiro das Trevas, você sabe o motivo?

O interesse do personagem não era levar os bandidos para a prisão, mas sim carregá-los para o lugar de onde eles nunca deveriam sair: As Trevas.

Se por acaso, de alguma maneira, você compartilha da opinião de que a culpa é da menina, isso acontece porque a cidade já engoliu você, e envenenou seu discernimento com falta de sentimentos em relação ao outro.

É angustiante perceber que as histórias que eu lia quando era pequeno estão se tornando reais.

A ponto de termos que deixar nossas coisas em casa para irmos na rua, e não ver mais as crianças brincando até tarde com seus coleguinhas.

Estamos vivendo em Gotham, cidade que corrói o ser humano, e altera sua sanidade.

Pensar nessas situações cria uma espécie de agonia em nós.

Talvez, essa sensação nos faça refletir sobre a vida, e pensar que se continuarmos vivendo em Gotham, não haverá um futuro para nenhum de nós.

Seremos engolidos pela cidade que cria monstros, e como em “A Piada Mortal”, o Coringa vai rir de nós, enquanto toma água de coco, e canta: “Olha que coisa mais linda, mas cheia de graça…”

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