Uma página por vez

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Diga-me: por que está com pressa? Poderia sugerir algumas respostas, vejamos: O mundo é rápido, não podemos perder tempo… Será? Ou quem sabe: Todas as coisas devem ser feitas com muita rapidez para que sobre tempo.

Talvez seja compreensível, construir teorias e possibilidades para que possamos alargar o tempo. Mas e se, bem, é apenas uma ideia. E se tentássemos direcionar mais os ponteiros do relógio para o momento em que estamos, ao invés de perdermos ou ganharmos, e vivermos incomodados com essa “balança temporal”? Entenda, não é uma sugestão revolucionária ou tecnológica, é simples, e existe sim, uma margem de erro, mas, e se der certo?

A noção de tempo é interpretativa, entretanto, existe uma sensação que de vez em quando toma conta de alguns simples mortais que se traduz na incapacidade de tirar proveito do presente. Como em um relacionamento por exemplo, qual o objetivo? Os mais velhos talvez diriam: O importante é aguentar até o fim. Os mais novos poderiam comentar: Se rolasse na primeira noite, seria bom. Mas, e se ao invés de pensar apenas na conclusão redigíssemos nossa história como um pequeno livro, com uma boa introdução, uma atenção especial para o desenvolvimento, e depois, bem depois, tentássemos concluir, ou ao invés disso, reinventar a história, tematizar os ambientes.

Talvez, essa seja a sugestão mais coerente: Pensar a vida como se fosse um livro. Alguns preferem imaginar como um filme, acontece com trilha sonora, boas atuações, tempo para pipoca, e algumas vezes a emoção de ganhar um Óscar. Entretanto, o livro requer mais manejo, quer dizer, isso para quem compreende que a leitura pode se tornar algo extremamente prazeroso. O tocar de página com os dedos, a ideia de que assimilou o que foi escrito por alguém que talvez nunca conheça. O som de virar cada página. A apreciação do momento.

É possível perceber que não há necessidade de correr? O mundo propõe um raciocínio inverso. Um dos maiores intelectuais contemporâneos, o mestre Zygmunt Baumam, ao propor um debate sobre o tempo discute o conceito de modernidade líquida, segundo Baumam, existe a necessidade de pensar as mudanças da sociedade de maneira relativa e líquida, pois a sociedade avança de maneira muito veloz.

Mesmo compreendendo, a velocidade do mundo, sugiro que tenhamos tempo para ler, não apenas livros, mas as pessoas, a vida, e além desse exercício, que tal escrever um pouco? Como escrever sobre a vida se o mundo avança de maneira tão rápida? Tenho apenas um conselho: Que tal uma página por vez?

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