Entre o medo e a coragem o que eu prefiro?

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Um dia desses resolvi levar meu primo a um treino de boxe, não por ser fissurado em lutas, e nem por supor que ele se tornará o próximo campeão do UFC. Meu interesse estava ligado ao condicionamento físico que o boxe proporciona e consequentemente o funcionamento dessa atividade na saúde de meu primo. O que me chamou atenção foi a maneira que ele se comportou enquanto caminhávamos até a academia. Suas palavras carregavam uma leve carga de uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, sensação essa conhecida como medo. Ele dizia que ia só olhar a aula, que nunca gostou mesmo de lutas, e quanto mais próximos estávamos de nosso alvo, mas ele demonstrava uma tal preocupação, natural de qualquer ser humano que está prestes a vivenciar uma nova experiência.

Então chegamos ao local de destino, e vagarosamente meu primo foi tomando uma postura distinta daquela que eu tinha conhecido durante o caminho. Ele foi absorvido por uma novidade, apesar de seu receio, ele foi abraçando a ideia de se comportar da maneira que o instrutor desejava. Sua atenção estava direcionada para cada golpe, seu corpo transformou-se em uma massa de modelar por alguns momentos, e o instrutor manuseava as ações de seus punhos, a postura de suas pernas e a velocidade de cada golpe. Ele se deixou levar, por um surto momentâneo chamado: coragem.

E então percebi que aquela experiência só foi possível porque ele resolveu dar um passo em uma direção que por alguns momentos parecia muito distante.

No livro Pequeno Tratado Das Grandes Virtudes de André Comte é reservado um capítulo inteiro para se falar sobre a coragem, e uma das partes que mais me interessou foi a seguinte:

“De todas as virtudes, a coragem é sem dúvida a mais universalmente admirada. Fato raro, o prestígio que desfruta parece não depender nem das sociedades, nem das épocas, e quase nada dos indivíduos”.

A adequação da coragem para a realidade que enfrentamos é uma opção que nos revela possibilidades, e o que conhecemos como medo altera nossa compreensão, nos faz temer, rejeitar.

Reconheço a importância do medo, é uma característica que devemos colocar em nossas mochilas quando estivermos diante de novos desafios, o medo nos freia. Entretanto, é extremamente importante estarmos dispostos a desconstruir as barreiras de temor, ou simplesmente alterarmos a direção delas por alguns instantes. E não poderia deixar de dizer que na mesma mochila deve conter doses de coragem, e que estas duas características poderiam andar no mesmo frasco como uma mistura alquímica, uma fórmula, ou até uma bebida forte apenas.

Acredito que devemos pensar sobre a seguinte questão: Em que momento de nossas vidas paramos? E quais foram os motivos? Será que nosso filme não merece uma trilogia? Ou pelo menos uma reprise? Dentro desta perspectiva, se o gênero do filme que você escolheu para sua vida for medo, por favor, não assista mais… Digamos que filmes com a temática coragem sejam um tanto quanto atraentes. Então, cabe a você escolher o que quer ver.

Como diria Chico Buarque: “As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem”.

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