Você não sabe onde estará daqui a 10 anos (E isso é ótimo!)

Tempo de leitura: 8 minutos

Você sabe onde estará daqui a 10 anos? 🤔

A verdade é que provavelmente não. E talvez o problema esteja justamente em tentar planejar a vida como se tivéssemos um mapa fixo.

Neste vídeo, falo sobre a diferença entre ter um mapa e uma bússola para a vida: em vez de tentar definir exatamente qual emprego, cidade, relacionamento ou caminho você terá no futuro, talvez seja mais importante saber quais valores, objetivos e direção você quer seguir.

Prefere ler? Então leia o post em texto.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=2TagKwjiwUU

Você não sabe exatamente onde estará daqui a 10 anos

Desculpa ao setor de Recursos Humanos das empresas e ao seu professor da escola, mas a verdade é que você não sabe onde estará daqui a 10 anos.

Existe uma ideia de que podemos planejar a nossa vida e um incentivo para isso. É aquela velha pergunta feita em uma entrevista de emprego ou naquele primeiro dia de aula: “Onde você se vê daqui a 10 anos?” Ou, talvez, daqui a 5 anos.

Mas a resposta, de verdade, é: como vamos saber?

A vida é uma sucessão de acontecimentos e, por mais que a gente planeje — “eu quero isso”, “vou fazer aquilo” —, nunca saberemos exatamente onde estaremos daqui a 10 anos. Podemos ter uma visão, um sonho, pensar “eu quero isso”, “quero alcançar determinada coisa”, mas a verdade é que nunca teremos essa certeza.

Troque o mapa por uma bússola

A pergunta “onde você se vê daqui a 10 anos?” pode alimentar a ideia de que temos controle sobre a vida, quando, na verdade, não temos.

Então, por que as pessoas fazem essa pergunta?

Eu entendo a ideia. Elas querem demonstrar que você pode olhar para o futuro e imaginar onde quer chegar. Por exemplo: “Daqui a 10 anos quero estar formado e trabalhando nisso”. A partir daí, você volta para o presente e pensa: “Para fazer isso, preciso seguir uma série de passos até chegar lá”.


Eu entendo essa lógica. Mas, em vez de criar um mapa, talvez seja melhor imaginar uma bússola.

Você pode pensar: “Estou aqui e vou seguir este percurso. Vou fazer a escola, depois a faculdade, depois um mestrado, depois trabalhar em uma empresa, depois me tornar diretor dessa empresa e, finalmente, chegar lá”.

Mas, em vez de perguntar “onde você se vê daqui a 10 anos?”, podemos pensar: qual direção eu quero seguir?

Quero me ver nesse país? Quero morar na Europa? Quero morar no Brasil?

Nesse caso, você não precisa de um mapa fixo. Precisa de uma bússola.

O que uma bússola pode ensinar sobre a vida?

Talvez você não saiba ou não use mais tantas bússolas, embora ela esteja presente quando você utiliza o Waze. A bússola mostra o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste.

Se eu quero ir para o Norte, preciso seguir nessa direção. Mas pode acontecer de eu chegar a um ponto em que o caminho esteja bloqueado. Há um morro, uma pedra ou qualquer outro obstáculo.

Então, eu posso desviar.

Ao desviar, naturalmente mudo de direção, mas continuo sabendo onde está o Norte. Em algum momento, posso retornar àquela direção e continuar seguindo até onde quero chegar.

Ou talvez eu queira ir para o Leste. Vou seguindo, mas encontro uma pedra, um percalço ou alguma outra coisa no caminho. Desvio por um momento, faço um caminho mais longo, mas sei que, no fundo, quero chegar lá.

A vida também funciona assim

Um avião é um bom exemplo. Em teoria, ele não voa exatamente em linha reta, porque a Terra não é plana, mas podemos imaginar que segue uma trajetória em direção ao destino.

De repente, aparece uma tempestade.

Por segurança, para evitar turbulências e outros problemas, o avião desvia da tempestade. Mas o piloto sabe que a cidade de destino continua naquela direção.

Então, o avião contorna a tempestade e, em algum momento, retorna ao caminho para continuar a viagem.

É como ter uma bússola.

E o que seria essa bússola na sua vida?

Você talvez não consiga dizer exatamente onde se vê daqui a 10 anos, mas pode dizer o que quer para os próximos 10 anos.

Quais são seus sonhos? Quais são seus projetos?

Não apenas “eu quero isso”, mas: qual caminho você quer seguir hoje?

“Quero ter sucesso na minha profissão.”

Isso é uma direção.

Não confunda direção com destino

Em vez de dizer “quero ser o diretor do Google”, por exemplo, pense: “Quero ser um profissional de sucesso em uma grande empresa”.

O primeiro é um mapa. O segundo é uma direção.

Talvez você queira ser diretor de uma grande empresa ou até da sua própria empresa.

Quando você diz “quero ser diretor do Google”, isso é o tipo de resposta que muitas empresas esperam quando perguntam onde você se vê daqui a 10 anos. E tudo bem continuar respondendo dessa forma em uma entrevista de emprego. Mas, dentro de você, saiba que isso é apenas uma possibilidade, não uma certeza.

Você pode pensar: “Quero ter sucesso na minha carreira.”


Então, precisa continuar seguindo esse norte.

Mas outras oportunidades podem surgir. Talvez não seja no Google. Talvez seja na Meta, em outra empresa, talvez você funde a sua própria empresa ou talvez seja na OpenAI.

O importante é que a direção continue sendo a mesma, ainda que o caminho mude.

Tenha valores, não apenas planos

Talvez você esteja hoje no Brasil e pense: “Quero fazer sucesso, quero ter minha casa, meus filhos, minha esposa ou meu marido. Quero formar uma família”.

Então você imagina que precisa morar no Rio de Janeiro, comprar uma casa à beira-mar e construir sua vida ali.

Mas pode descobrir, no futuro, que o seu amor está do outro lado do Atlântico. Talvez esteja em Lisboa, em Portugal, ou em Madri.

Você tinha criado um mapa: “Quero ter uma casa no Rio de Janeiro”.

Mas talvez aquilo não fosse, de fato, o que você queria. Talvez o que você realmente quisesse fosse formar uma família.

Por isso, tenha um norte. Tenha uma direção.

Pode ser Norte, Sul, Leste ou Oeste. O importante é saber quais áreas você quer desenvolver e quais valores deseja seguir.

“Quero alcançar sucesso nessas áreas.”

“Quero essas coisas.”

Mas não precisa definir exatamente qual será a forma que isso terá.

Um corpo saudável não precisa significar um único caminho

O mesmo vale para a saúde.

Você pode pensar: “Quero ter um corpo saudável”.

Mas não precisa transformar isso em um mapa rígido: “Vou fazer musculação de segunda a sexta”.

De repente, você não consegue treinar na sexta-feira e se frustra, porque o seu mapa dizia segunda a sexta.

Ou então você definiu que precisa seguir uma dieta todos os dias e, em determinado dia, não conseguiu.

Quando você tem um norte, a lógica muda.

Seu caminho é ser o mais saudável possível.

Você pode valorizar saúde, família, empatia, estar com as pessoas que ama, estudar e também ter momentos de lazer. Esses são os seus valores.

Quando você tem esse norte, essas coisas que realmente importam, as definições específicas — a empresa em que vai trabalhar, o dia em que vai fazer exercício ou exatamente o que vai comer — tornam-se secundárias.

E isso permite adaptação.

Talvez você tenha criado um mapa em que faria musculação todos os dias. De repente, você se apaixona pela corrida e descobre que não quer ter um corpo musculoso, mas um corpo mais magro e fino.

E está tudo bem.

Porque, no fundo, o que você queria era algo chamado saúde.

A vida exige que você saiba recalcular a rota

Olhe para a vida e pense: “Eu quero essas coisas. Quero esse norte. Quero esse caminho”.

Os obstáculos vão aparecer.

Talvez você queira muito determinada pessoa. Você queria aquela mulher ou aquele homem para formar uma família, mas pode descobrir que, na verdade, o que você deseja é formar uma família com alguém que ame você.

Talvez não seja aquela pessoa.

Mas você pode encontrar outra.

Se entender que aquilo é um obstáculo, desvie. Mas lembre-se de retornar ao caminho que deseja seguir.

Por isso, jogue o mapa fora, mas mantenha consigo a bússola.

O Waze é um bom exemplo. Quando você o utiliza, ele sabe onde você quer chegar e procura um caminho para levá-lo até lá.

De repente, o caminho está bloqueado.

Ou você erra e dobra onde não deveria.

O que ele faz?

Recalcula a rota.

Porque, para ele, o que importa é o objetivo, e não o caminho exato.

Às vezes, nós fazemos o contrário. Definimos um caminho tão específico que esquecemos o verdadeiro objetivo.

O Waze permite que você escolha onde quer chegar. Mas talvez, durante a viagem, você descubra que aquela rua nem era tão bonita assim. Então, você pode escolher outra rua, outro caminho.

Porque, no final, o que você realmente quer pode ser felicidade, saúde, amor, paz, um bom emprego ou sucesso na carreira.

Tenha uma bússola que mostre a direção, e não um mapa fixo que nunca muda e que talvez, com o tempo, nem faça mais você feliz.

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