Foi aprovado para estudar no exterior!? E agora?

Tempo de leitura: 10 minutos

Ser aprovado em uma universidade, mestrado, doutorado ou intercâmbio fora do Brasil é uma conquista enorme. Mas, depois da comemoração, começa uma nova etapa cheia de documentos, matrícula, apostilamento, visto, moradia, seguro de saúde e pagamentos.

Neste vídeo, compartilho minha experiência depois de ser aprovado para fazer meu mestrado em Portugal e mostro o que você precisa começar a organizar para transformar a aprovação em uma viagem de verdade.

Prefere ler? Então leia o post em texto.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Yah3bUM-USg

Você foi aprovado em uma faculdade no exterior. E agora?

Ser aprovado em uma faculdade, universidade, mestrado, doutorado ou programa de intercâmbio no exterior é uma conquista enorme. Depois de toda a preparação, da documentação e da ansiedade até ver seu nome na lista de aprovados, finalmente chega a notícia que você estava esperando.

Mas, depois da aprovação, começa uma nova etapa: a burocracia.

É preciso fazer a matrícula, organizar documentos, verificar a validade do passaporte, providenciar apostilamentos e traduções, pagar eventuais taxas, solicitar o visto, encontrar moradia e contratar um seguro de saúde.

Neste texto, compartilho minha experiência com o processo para estudar em Portugal. Embora alguns procedimentos sejam específicos do país, várias dessas etapas também podem ser úteis para quem pretende estudar em outros países da Europa ou nos Estados Unidos.

1. Fique atento ao período de matrícula

Depois de ser aprovado, o primeiro passo é aguardar o período de matrícula.

Em muitos países da Europa e nos Estados Unidos, o calendário acadêmico é diferente do brasileiro. Em vez de começar no início do ano e terminar em dezembro, o período letivo geralmente começa entre agosto e setembro e termina no primeiro semestre do ano seguinte.

Por isso, é comum encontrar anos letivos identificados como 2026/2027, 2027/2028 e assim por diante.

Se as aulas começam em agosto ou setembro, por exemplo, o período de matrícula pode ocorrer alguns meses antes, geralmente entre maio e junho.


A matrícula pode acontecer diretamente com a universidade ou por meio de um programa de bolsas. Quando existe uma bolsa, é importante verificar no edital quem será responsável pelo procedimento e para onde os documentos deverão ser enviados.

Se você se candidatou diretamente à instituição, ela deverá informar o período de matrícula e os documentos necessários.

2. Não perca o prazo

Essa talvez seja uma das orientações mais importantes.

Se a universidade informar que o período de matrícula ocorre entre determinadas datas, respeite rigorosamente o prazo.

Dependendo da instituição, perder a data pode significar desde a necessidade de pagar uma taxa adicional até a perda definitiva da vaga, com convocação do próximo candidato da lista de aprovados.

Por isso, acompanhe constantemente os e-mails, o portal da universidade e os editais.

3. Prepare os documentos

Depois da aprovação, começa uma das partes mais burocráticas do processo: reunir a documentação.

Os documentos variam de acordo com a instituição, o país e o curso. Por isso, o edital de matrícula é sempre a referência principal.

No meu caso, para o mestrado na Universidade do Porto, alguns dos documentos solicitados foram os seguintes.

Passaporte válido

O passaporte é um dos documentos mais importantes para quem vai estudar no exterior.

Não basta verificar se ele está formalmente dentro da validade. É preciso observar por quanto tempo ele continuará válido durante sua permanência no exterior.

No meu caso, o passaporte venceria justamente no último mês do curso. Embora estivesse válido para realizar a matrícula, isso poderia gerar problemas posteriormente no processo de visto.

Por isso, precisei emitir um novo passaporte e solicitar à universidade a atualização do número do documento na minha matrícula. Depois, foi necessário emitir novamente a declaração de matrícula para apresentá-la no processo de visto.

A recomendação, portanto, é simples: verifique a validade do seu passaporte antes de fazer a matrícula. Se ele estiver próximo do vencimento, pode ser melhor providenciar um novo documento antecipadamente.

4. Diploma e histórico escolar

Dependendo do curso, você também precisará apresentar o diploma e o histórico escolar.

Entretanto, documentos emitidos no Brasil podem precisar de procedimentos adicionais para serem aceitos no exterior.

Um deles é o Apostilamento de Haia.

O apostilamento permite que determinados documentos públicos brasileiros sejam reconhecidos em outros países que fazem parte da Convenção da Apostila de Haia. O procedimento é realizado por cartórios autorizados e gera uma certificação vinculada ao documento.

Por isso, verifique no edital se o diploma e o histórico precisam ser apostilados.

5. Tradução juramentada

Dependendo do idioma da universidade, também pode ser necessária uma tradução dos documentos.

E aqui existe uma diferença importante: não basta simplesmente traduzir o diploma.

Quando a instituição exige uma tradução juramentada, o documento precisa ser traduzido por profissional habilitado para realizar esse tipo de tradução.

Portanto, uma tradução feita por conta própria ou por ferramentas de tradução automática não substitui a documentação exigida pela instituição.

6. Apostilamento e tradução de documentos digitais

Outro detalhe importante é que nem todos os cartórios oferecem os mesmos serviços para documentos digitais.

Na minha experiência, precisei realizar procedimentos de apostilamento em documentos digitais e descobri que o cartório que utilizava não realizava esse tipo de serviço.

Foi necessário buscar uma alternativa que permitisse fazer o procedimento remotamente. Existem plataformas especializadas que oferecem serviços de apostilamento e tradução de documentos, inclusive para documentos digitais.


Independentemente do serviço escolhido, é importante verificar se ele atende exatamente às exigências da universidade e do país de destino.

7. Declaração da escala de notas

Outro documento que pode ser solicitado é a declaração da escala de notas utilizada pela instituição de ensino brasileira.

Isso acontece porque os sistemas de avaliação podem variar entre os países.

No Brasil, por exemplo, é comum utilizar uma escala de 0 a 10. Em Portugal, utiliza-se uma escala de 0 a 20. Nos Estados Unidos, também existe um sistema diferente, baseado em letras.

A universidade estrangeira pode solicitar uma declaração da instituição brasileira informando qual escala de avaliação é utilizada.

No meu caso, essa declaração também precisou passar pelo procedimento de apostilamento.

8. Currículo e outros documentos

Algumas universidades também podem solicitar o currículo e outros documentos comprobatórios.

A exigência dependerá do curso e da forma como você se candidatou.

Quem concorreu a uma bolsa, por exemplo, pode precisar apresentar documentos relacionados aos critérios utilizados na seleção.

Mais uma vez, a regra é consultar o edital e verificar exatamente o que a instituição está solicitando.

9. Verifique as mensalidades e outros custos

Depois da matrícula, é importante entender como funcionará o pagamento do curso.

Em Portugal, por exemplo, as mensalidades universitárias são chamadas de propinas. Mesmo universidades públicas podem cobrar valores dos estudantes.

Verifique:

  • quanto você precisará pagar;
  • quando deverá pagar;
  • se existe possibilidade de parcelamento;
  • quais meios de pagamento são aceitos;
  • se existem outras taxas obrigatórias.

No meu caso, foi possível dividir o pagamento da propina. Uma parte foi paga no momento da matrícula e outra posteriormente, já durante o período de aulas.

Mesmo quem vai estudar com bolsa deve verificar se existem custos que não estão cobertos.

10. Solicite o visto

Depois da matrícula, chega outra etapa fundamental: o visto.

Os procedimentos dependem do país de destino. No caso de Portugal, é importante verificar previamente as regras aplicáveis aos estudantes brasileiros e realizar o procedimento ainda no Brasil quando essa for a exigência vigente.

A matrícula é importante porque pode ser um dos documentos necessários para comprovar o motivo da viagem e fundamentar o pedido de visto.

Por isso, é importante não deixar o visto para a última hora.

O prazo de análise pode variar, e você precisa considerar também o tempo necessário para reunir toda a documentação.

11. Encontre um lugar para morar

Outra preocupação importante é descobrir onde você vai morar.

Existem várias possibilidades:

  • casa de família;
  • apartamento alugado;
  • quarto alugado;
  • hotel ou residência temporária;
  • residência estudantil.

As residências estudantis são bastante comuns entre estudantes internacionais. Elas podem ser privadas ou vinculadas a universidades e outras instituições.

Também existem diferentes formatos de acomodação. Você pode encontrar quartos individuais, quartos compartilhados, apartamentos e outras configurações.

Tudo dependerá do seu orçamento e da cidade onde você vai estudar.

Moradia pode ser necessária para o visto

A escolha da moradia também pode estar relacionada ao processo de visto.

Dependendo do país, você poderá precisar comprovar onde ficará hospedado.

Por isso, pode ser necessário contratar a acomodação antes mesmo de viajar. Algumas residências possuem cláusulas específicas para situações em que o estudante não consegue o visto, permitindo o reembolso de parte do valor pago, descontada eventualmente uma taxa de reserva.

É importante, portanto, ler atentamente as condições do contrato antes de fazer qualquer pagamento.

12. Providencie um seguro de saúde

Outra etapa importante é contratar um seguro de saúde ou seguro de viagem que atenda às exigências do país.

Dependendo da duração do curso, você pode precisar de uma cobertura por um período prolongado.

Na minha pesquisa para um curso de dois anos, encontrei poucas opções que ofereciam cobertura para todo esse período. Por isso, foi necessário pesquisar diferentes alternativas.

Existem alternativas ao seguro privado

Dependendo do país e da sua situação previdenciária, pode existir um acordo de reciprocidade que permita acesso ao sistema público de saúde.

No caso de Portugal, por exemplo, brasileiros que atendam aos requisitos podem utilizar o Certificado de Direito à Assistência Médica (CDAM), observadas as condições aplicáveis.

O documento está relacionado a acordos de assistência médica entre os países e pode ser utilizado conforme as regras vigentes.

Como a emissão do documento pode levar algum tempo, é importante verificar essa possibilidade com antecedência.

Caso não seja possível obtê-lo a tempo, pode ser necessário contratar um seguro de viagem ou de saúde adequado às exigências do visto.

Conclusão

Ser aprovado em uma universidade no exterior é apenas o começo de uma nova etapa.

Depois da aprovação, você ainda precisará lidar com matrícula, documentos, passaporte, apostilamento, tradução, pagamentos, visto, moradia e seguro de saúde.

A boa notícia é que, quando você divide todo o processo em etapas, ele deixa de parecer tão complicado.

O mais importante é não deixar tudo para a última hora. Leia o edital de matrícula, anote os prazos, organize seus documentos e comece a resolver cada uma dessas etapas com antecedência.

A aprovação é uma conquista enorme. Agora começa a preparação para transformar essa aprovação em uma experiência real de estudar no exterior.

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