Como tomar uma decisão difícil sem deixar o medo decidir por você

Tempo de leitura: 5 minutos

Você está diante de uma decisão difícil e não consegue escolher porque tem medo de que tudo dê errado?

Existe uma estratégia simples que pode ajudar a diminuir a insegurança: imaginar o pior cenário possível e criar um plano para lidar com ele.

Prefere ler? Então leia o post em texto.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=n9Dm_aUflcA

Como tomar uma decisão difícil sem deixar o medo decidir por você

O que é o medo? Muitas vezes, é o receio de que determinada escolha gere um problema. E, diante desse sentimento, nossa primeira reação costuma ser tentar combatê-lo: pensar positivo, ignorar a possibilidade de dar errado ou simplesmente evitar a decisão.

Mas talvez exista uma maneira diferente de lidar com o medo.

Em vez de tentar convencer a si mesmo de que nada dará errado, você pode olhar para esse medo e perguntar: “E se der errado? E se der muito errado? O que realmente pode acontecer?”

Essa mudança de perspectiva pode ajudar a tomar decisões difíceis com mais segurança.

Imagine o pior cenário

Imagine, por exemplo, que você esteja pensando em deixar seu emprego atual para morar no exterior.

Você pode pensar em ir para Portugal, Espanha ou outro país europeu para começar uma nova vida. Mas, junto com essa decisão, surgem os medos: e se você não conseguir emprego? E se não se adaptar? E se odiar a experiência? E se algo der errado com sua permanência no país?

Então, em vez de simplesmente afastar esses pensamentos, faça o exercício de imaginar o pior cenário possível.

Você poderia chegar ao país, não conseguir emprego, não se adaptar à cultura e precisar voltar para o Brasil. Em algumas situações, poderia até enfrentar problemas relacionados à sua permanência no país.


Esse seria um cenário ruim, mas é importante mantê-lo dentro dos limites da realidade. Não é necessário imaginar catástrofes que provavelmente nunca acontecerão. A ideia é entender o que realmente poderia dar errado.

Depois de identificar o pior cenário, crie um plano

Agora vem a parte mais importante: o que você faria se esse cenário realmente acontecesse?

Se você precisasse voltar ao Brasil, por exemplo, provavelmente precisaria de dinheiro para comprar uma passagem, pagar alguns meses de aluguel e reorganizar sua vida até conseguir um novo emprego.

Então, antes de tomar a decisão, você poderia criar uma reserva financeira para esse eventual retorno.

O objetivo não é acreditar que tudo dará errado. É saber que, caso dê, você terá um caminho para seguir.

O mesmo vale para outras decisões

Esse raciocínio pode ser aplicado a diferentes situações.

Imagine que você esteja pensando em terminar um relacionamento. O medo pode estar relacionado ao arrependimento, à reação da outra pessoa ou às consequências financeiras e emocionais da separação.

Em vez de simplesmente fugir da decisão, você pode pensar antecipadamente em como lidaria com essas possibilidades.

O mesmo vale para uma decisão financeira. Se você quer comprar um carro, mas tem medo de não conseguir pagar as parcelas, pense: “Se eu não conseguir pagar, o que farei?”

Talvez você venda o veículo, procure uma fonte adicional de renda ou encontre outra alternativa que faça sentido para sua realidade.

A questão é criar um plano para o caso de as coisas não saírem como esperado.

Depois de imaginar o pior, imagine o melhor

Existe, porém, uma segunda parte desse exercício que também é importante.

Depois de imaginar tudo o que pode dar errado, pergunte:

“E se der certo?”

Se você conseguir o emprego no exterior, se adaptar ao país e construir a vida que imaginava, quais serão os benefícios?

Se terminar um relacionamento que já não faz sentido permitir que você siga em frente, o que poderá encontrar?

Se comprar o carro e conseguir organizar sua vida financeira, quais possibilidades serão abertas?

Às vezes, ficamos tão concentrados no medo de que algo negativo aconteça que esquecemos de avaliar o tamanho do benefício que pode existir caso tudo dê certo.

E se o pior cenário não for tão ruim quanto parece?

Outra reflexão importante é perceber que algumas situações que nos assustam podem não ser tão insuperáveis quanto imaginamos.

Isso não significa desejar que algo ruim aconteça. Significa apenas reconhecer que, caso aconteça, talvez seja possível seguir em frente.

Você pode perder um emprego e conseguir outro.

Pode terminar um relacionamento e reconstruir sua vida.

Pode tentar morar fora, não se adaptar e voltar para casa.

Pode dar errado.

Mas talvez exista uma dor ainda maior: passar a vida sem saber o que teria acontecido se você tivesse tentado.

Não fazer nada também é uma decisão

Quando temos medo de tomar uma decisão difícil, podemos acreditar que permanecer parados é uma forma de não escolher.


Mas não é.

Não fazer nada também é uma decisão — e suas consequências podem ser tão importantes quanto as consequências de agir.

Você pode escolher onde quer chegar, decidir que quer morar fora, começar um relacionamento, terminar um relacionamento ou mudar de carreira.

Ou pode simplesmente permanecer onde está porque tem medo de que algo dê errado.

O problema é que, quando você não escolhe, também está escolhendo um caminho.

Prepare-se para o pior, mas não deixe de buscar o melhor

Você nunca terá controle absoluto sobre o que acontecerá depois de uma decisão.

Mas pode se preparar.

Pode criar uma reserva financeira, buscar informações, conversar com as pessoas certas, organizar uma alternativa e pensar antecipadamente sobre como reagiria caso as coisas não saíssem como planejado.

Isso pode não eliminar completamente o medo. Mas pode fazer com que você saiba o que fazer caso o pior cenário aconteça.

E, depois de se preparar para o pior, existe outra pergunta que merece ser feita:

E se der certo?

Talvez essa seja a pergunta que o medo costuma nos impedir de fazer.

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