Por que eu não sou como a Mandy?

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Mandy

Existe em algumas pessoas uma prática diária (alguns chamam de rotina), algo que você não quer alterar, faz parte de você, então, qual o sentido de mudar? Uma dessas práticas que respeito em meu ritual diário é chegar à noite de um dia exaustivo daquele cenário quase escravista denominado trabalho, ligar a TV, e assistir a um bom desenho.

Algumas pessoas dizem que crescer é deixar de lado algumas coisas de infância, então partindo deste raciocínio, não deveríamos mais assistir desenhos. Mas é aí que você se engana meu caro amigo ou amiga, sua percepção mudou, e depois que você cresce alguns desenhos começam a fazer sentido.

Pra começar, muitos desenhos ditos infantis nem são pra crianças, que tal assistir mais um episódio de Simpsons? Algo começou a fazer sentido? Mas nesse artigo em questão gostaria de ressaltar a presença ilustre da Mandy (As terríveis aventuras de Billy e Mandy), conhecem?

Eis um personagem que ganhou minha admiração e respeito, motivos? São vários, ela se enquadra no espaço politicamente incorreto aos olhos normais, é daquele tipo que fala o que pensa sem pestanejar (um dia eu chego nesse nível). Suas palavras corrosivas e diretas escondem-se atrás de um vestidinho rosa, exalando uma falsa ideia de inofensiva. Entre seus momentos de sabedoria estão as seguintes frases:

  • Não existem sonhos estúpidos, só pessoas estúpidas que nunca realizam eles.
  • A felicidade é o caminho mais curto para a estupidez.
  • Não basta apenas ter sucesso, outros têm que fracassar.
  • Controle da mente não funciona em gente que pensa.
  • Geralmente sou a favor do abuso e exploração dos tolos.

E o que se torna mais interessante nessa breve análise é o fato de ser uma Mulher, a presença de toda essa carga de opinião e maneira de executá-la apresenta a seguinte lógica: A mulher pode e tem o direito de dizer tais palavras, pois seu vocabulário está propício a cada momento em que solta uma ou outra gota de veneno (só eu que percebi isso?). Não tem nada de subliminar, é totalmente aparente, e pra completar seu “parceiro” apresenta o contraponto da questão, um Homem idiota (Billy).

Então, se você fica muito irritado e não consegue soltar suas palavras que se prendem entre seus lábios, se você pensa em possíveis insultos, mas ainda não conseguiu executá-los, se você de certa maneira sente um desejo oculto de ser politicamente incorreto, tenho apenas uma dica: Assista desenhos animados, observe a prática cotidiana da Mandy em doses moderadas, exageros não são permitidos, para se dizer tais palavras no momento correto é necessário uma certa vivência. Depois de certo tempo você estará apto a utilizar esse mecanismo cascavélico naturalmente. Boa sorte, pois eu ainda não consegui ser como a Mandy.

3 Comentários


  1. Finalmente…
    …alguém reconhece o valor de certos desenhos animados.
    Mas como este artigo tratou da vida adulta vamos dizer animações onde, neste tema, o ponto central é o choque de realidade.

    Como dito, certas animações não condizem com desenhos infantis, contudo, a questão é que só percebemos com certa idade, pois com o passar do tempo perdemos a inocência da infância. Correto? Não!

    Inspirando-me na Mandy, devo dizer que o que ocorre é que perdemos a ignorância e começamos a aprender como o mundo funciona. A partir daí somos apresentados ao maravilhoso mundo da ironia e do sarcasmo.

    Como dito pelo autor do post, Mandy joga na cara do espectador argumentos tão poderosos e cheios de opinião que são quase ofensivos, e a questão é esse QUASE, pois ao ouvi-los a maioria ri por confusão mental, ou seja, por não entender aquilo ainda mas só depois, ou por não ser realmente capaz de entender, e isso é sarcasmo. Nesse tipo de humor ácido não há grosserias nas ofensas, nem palavras de baixo calão, mas sim, ataque direto a sua inteligência.

    Nesse ponto de vista, pode-se dizer que tornar-se adulto não é deixar de assistir desenhos animados, mas sim, deixar de ser incapaz e entender o que são essas animações. Como dito, também, tal aprendizado demanda tempo. Isso não é contar piadas. Ironias são o primeiro estágio e o sarcasmo segue mais acima disso.

    Pânico? CQC? Não me faça rir. Mas por mais improvável que pareça, o melhor exemplo de sarcasmo e ironia no Brasil foi o personagem Saraiva, no Zorra Total, mas como tudo que é bom acaba, o intérprete morreu. Lamentavelmente o quadro veio a ser refeito no mesmo programa. Não havendo, ainda, outro ator ou humorista que entendesse a profundidade dos discursos desse personagem, salvo o original, o quadro acabou por a interpretação não estar, nem mesmo, ao nível de qualidade desse programa. Quase ridículo é o personagem do velhinho irritado da Praça é nossa, que tenta, mas… Mas ainda posso assistir a Mandy.

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