A vergonha que o Brasil deve ter

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Brasil

Nos últimos dias a única coisa que vimos foi uma variedade de manchetes para dizer a mesma coisa, a maneira como a derrota do Brasil foi vergonhosa. E então cada um dá o seu palpite de como poderia ser melhor se o técnico fosse outro, se outros jogadores tivessem sido convocados entre outras milhões de teorias, mas vejo essa derrota como um reflexo das tantas derrotas que sofremos todos os dias fora de campo.

Basta olhar fora do estádio para notarmos que temos muito mais a lamentar do que um jogo perdido. Temos que chorar é pela falta de uma educação digna para nossas crianças, pela morte de pessoas por falta de um hospital, ou pela onda de violência que amedronta nosso país.

Não é hora de criticar ou sair falando mal de jogador. Esse momento deve ser de reflexão, parar e pensar que precisamos de governantes que priorizem um plano de crescimento para o país ao invés de um mundial, que consigam enxergar que uma nação é muito mais respeitada quando tem o título de melhor lugar para se viver e crescer ao invés de país do futebol.

Enquanto o mundo vidrava a cada chute de nossos atletas, milhares de crianças eram exploradas sexualmente, outras tantas não tinham nem o que comer. Basta dar uma pequena volta pelas ruas de São Paulo para ver a quantidade de menores viciados em drogas espalhados pelas ruas e isso é muito mais humilhante do que perder de 7 a 1.

A festa foi linda, isso não podemos negar, mas seria bem melhor e mais inesquecível se não fosse pretexto para maquiar a roubalheira na construção de estádios superfaturados. Dinheiro que vai sair do bolso do nosso povo, que já tem que lidar com um salário irrisório e uma taxa de inflação que cresce mais rápido do que a quantidade de gols que tomamos da Alemanha.

O resultado pífio que tivemos é apenas um modo de acordarmos para o que acontece a nossa volta, e quem sabe agora discutir mais quem é o melhor candidato para erguer nosso país ao invés de argumentar sobre quem será o artilheiro da Copa. Não é hora de achar culpados ou responsáveis pela goleada, alguns dentro daquele campo têm muito mais caráter do que a grande maioria dos políticos que envenenam nosso Senado. Enquanto nossos jogadores pedem desculpa pela derrota, nossos comandantes dão risada da nossa cara pela quantidade de dinheiro que fraudaram durante a construção das arenas, que em muitos casos nem benfeitas ficaram.

Meu sonho é que daqui a quatro anos possamos ir a campo lutar pelo hexa, mas com a garantia de que por aqui outras vitórias, muito mais significativas, foram alcançadas. Quero ter orgulho de gritar gol sabendo que fora de campo a educação já ganhou o campeonato, e a fome deixou de ser adversária, tendo a certeza que o povo tem dignidade para viver. E que o sonho do jogador David Luiz de fazer o povo feliz possa se transformar no desejo de nossos futuros governantes.

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