O Menino e a Flor

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Menino e sua flor

Em um vilarejo longínquo existia um ritual um tanto quanto curioso, ao completar certa idade os meninos deveriam ir a um bosque que ficava próximo a cidade e escolher uma das lindas flores que ocupavam aquele lugar. A escolha era extremamente importante, pois o menino cuidaria da flor para sempre. Assim que escolhesse a flor o menino tornava-se homem.

Um belo dia o primeiro filho de uma das famílias que ali moravam completou a idade correta para a tão sonhada escolha da flor. O menino era um filho excepcional, sempre respeitou seus pais, era inteligente, educado e tinha muitos sonhos para seu futuro. Um membro de sua família que já tinha passado por esta experiência resolveu levá-lo ao bosque. Sua família esperava ansiosamente, queriam ver como seria a flor que estaria com seu filho para o resto da vida. Ao chegar lá, o menino ficou maravilhado com a exuberância do bosque e disse ao seu primo: Você gostaria de me dar uma dica? Seu primo com muita atenção respondeu: Escolha com muita cautela, você terá que cuidar dela para sempre. O menino não sabia para onde olhava. Eram tantas flores, tantos aromas, tantas cores. Caminhava para todos os cantos e lados e observava atenciosamente cada detalhe para fazer uma escolha sábia. De repente seus olhos se fixaram em apenas uma das flores, e o menino foi caminhando lentamente para o encontro da flor que ele considerou como digna para fazer parte de sua vida. Ao sair do bosque seu primo olhou com uma expressão de desapontamento e perguntou: Você tem certeza? E o menino que estava prestes a se tornar um homem disse: Sim, eu já escolhi.

O menino foi caminhando até em casa e ao abrir a porta seus pais já o esperavam. A escolha da flor representava a transformação. A atitude do filho representava a base dos princípios que tinha recebido de seus pais. Seu pai, o primeiro a ver a flor, manifestou um olhar de repúdio, não se conteve e disse: O que é isso? O que você fez? Sua mãe decepcionada não conseguia dizer nenhuma palavra. Seu pai não segurando as palavras esbravejou: Você nem parece meu filho. Vá para o seu quarto, e leve isso com você. O menino ao ver a reação dos pais sentiu vontade de chorar, subiu os degraus da escada e foi para o seu quarto. Ao entrar no quarto colocou a flor em cima da cama e ao olhar pra ela pensou: Meus pais não entendem. E então uma lágrima caiu de seus olhos. O menino se preparou para dormir e antes de deitar na cama resolveu conversar com a flor:

“Parece que por longos anos você permaneceu naquele bosque. Fico imaginando o quanto você desejou ser escolhida. Os meninos caminhavam pelo bosque e escolhiam a primeira flor que viam, e você, por estar mais distante continuou a esperar. Com o passar do tempo você desanimou. Esse desânimo fez com que você perdesse a cor e deixasse seu perfume para traz. E isso fez crescer em você um tipo de sentimento que a fez murchar. Eu queria dizer uma coisa: EU TE ESCOLHI. Eu quero cuidar de você”.

Enquanto terminava sua conversa o menino acabou dormindo com a flor em seus braços. Pela manhã seus pais o esperavam para tomar café, ainda estavam decepcionados e mal conseguiram dormir a noite. Eles se perguntavam se tinham educado seu filho da maneira adequada. Então o filho desceu as escadas sem dizer nada levando consigo uma linda flor. O menino colocou a flor no centro da mesa. A flor apresentava um brilho excepcional, seu perfume invadiu a casa sem pedir licença, suas cores pareciam vivas, era impossível não fixar os olhos nela. Sua mãe perplexa com aquela situação disse: Filho, que flor é essa? O menino sorriu e disse: Mãe, esta é a flor que eu escolhi. Seu pai sem compreender o que estava acontecendo disse: Como assim? Não foi essa que você nos mostrou ontem. O menino explicou: Pai, eu a escolhi porque esta flor precisava ser escolhida. Ela parecia a mais triste, estava distante das outras, tinha perdido suas cores, e mesmo assim, apesar de tudo que ela passou ela se manteve ali. Eu escolhi cuidar dela.

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