Algumas pessoas estão à margem

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Mendigo

Alguns de nós estamos à margem da sociedade. Qual sociedade? Uma específica que escolhe o “Quem” e o “Qual”, que nos ajuda a escolher quais são considerados os mais aptos.

Qual aptidão? (Seria financeira?). Essa é a grande questão.

O que nos torna a margem? Escolhemos isso?

Estar à margem simboliza a não aceitação, “tipo” uma falta de atenção. Então a fórmula é essa? Obter atenção leva-nos a aceitação? Seria simples demais.

Um dia desses enquanto tomava um café em uma lanchonete direcionei minha atenção a duas situações. De um lado uma mulher lendo um tipo de resumo de prova, ela tentava não prestar atenção nas coisas que ocorriam a sua volta. Do outro lado uma pessoa com vestes sujas, aparentava ser um morador de rua, e este, circulava por ali a espera de alguns trocados.

Diante desta dinâmica me perguntei: Quem chamava mais atenção? A estudiosa menina no meio da lanchonete ou o andarilho que esperava pacientemente por algumas moedas? Aquele era um espaço onde as pessoas se reuniam para comer, nesse sentido, talvez, as pessoas estivessem acostumadas com “pedidores de moedas”, entretanto, a aparência de intelectual e o foco que a estudante apresentava era algo “natural” naquele tipo de ambiente? Se eu compreender que a atitude correspondente à menina não funciona como algo que se conecta aquele local, poderia sugerir que a menina estaria à margem?

Partindo dessa análise poderia afirmar que estar à margem trata-se de um tipo de perspectiva que propõe significados relacionados ao afastamento do centro. Então oscilamos entre a margem e o centro na trajetória em que optamos seguir. Estamos entre a atenção e a desatenção. Então, com base em todas as palavras até aqui elaboradas, compreendo que cada um de nós compartilha e absorve diferentes significados do que se compreende como atenção, e ao direcioná-los a cada indivíduo colocamos os “outros” distribuídos hierarquicamente como em um tabuleiro de xadrez, onde para nós, uns se apresentam melhor no centro, e outros à margem.

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